





Assista ao novo documentário que investiga os arquivos secretos que os militares esconderam por 5 décadas
17/05, domingo às 20h
Documentário original

Um militar que detinha poder absoluto
Entre 2024 e 2025, uma fonte entregou ao Instituto Fernando Santa Cruz a primeira parte de um arquivo inédito. Os papéis pertenciam a um codinome de campo chamado “Dr. Bruno”, um dos principais operadores do Centro de Informações do Exército durante o regime militar.



A figura do coronel Cyro simboliza a parte [mais cruel do período]. É de uma família de militares, de uma turma golpista, tornando-se uma figura central do regime.
— Juliana Dal Piva
O local do interrogatório: 1971, Petrópolis, Rio de Janeiro
Existia uma metodologia científica, codificada em apostilas e aplicada como protocolo de Estado. Os manuais encontrados descrevem como o local funcionava, operava e era sustentado por Cyro Etchegoyen, o Dr. Bruno.

Foi encontrada uma apostila de um curso feito por Cyro Etchegoyen na Inglaterra, a convite do governo britânico e com cooperação do MI6 — com técnicas de controle sistematizadas passo a passo.
Registros do CIE mostraram uma lista de nomes reais e identidades operacionais, todos formalmente lotados no Gabinete do Ministro do Exército para ocultar sua função real nas ruas.
Eram 83 páginas manuscritas registrando o fluxo financeiro de pagamentos, incluindo gratificações e promoções aceleradas pelos “serviços prestados”.
O relatório mostra como documentos reais de militantes eram trocados por versões falsas monitoradas — e como o Estado financiou a fuga e cirurgia plástica do Cabo Anselmo após o episódio da Chácara São Bento.
Móveis, joias, dinheiro, alianças — os bens dos presos políticos mobiliavam apartamentos onde militares recebiam amantes. A apropriação desses bens era parte da rotina operacional, não exceção
Entre os documentos aparece o caso de uma mulher que não fazia parte da luta armada; foi retirada de casa e devolvida dias depois. O que aconteceu lá nunca entrou nos registros oficiais.
Quem analisou os arquivos secretos
A investigação dos jornalistas partiu de documentos mantidos em sigilo por décadas e avançou a partir do cruzamento de registros originais, identificação de agentes e entrevistas com sobreviventes.
O resultado é a reconstrução de mais um capítulo sobre a memória do período mais tenso do regime.

Jornalista investigativa, mestre em temas de ditadura militar, memória, repressão e política. Hoje é colunista do ICL Notícias e repórter do Centro Latino‑Americano de Investigação Jornalística (CLIP). Autora dos livros "O negócio do Jair" e "Rubens Paiva: Crime Sem Castigo".

Jornalista investigativo com reportagens de repercussão nacional sobre temas como governança, uso de recursos públicos, corrupção e redes de poder. Atualmente atuando como repórter no ICL Notícias, integra o núcleo investigativo que analisou a documentação inédita.

Um dos poucos jornalistas que ganhou sete vezes o Prêmio Esso, reconhecido por reportagens sobre temas como o atentado do Riocentro e a história da contravenção no Rio. É co-responsável pela investigação que identificou Echegoyen como o "Dr. Bruno". Autor de livros como “Os porões da contravenção”.
Sobre o mediador do evento:
Eduardo Moreira

O arquivo foi aberto: tudo que os militares ocultaram por décadas.
Ao retornarem ao domínio público após décadas, os arquivos da época mais tensa dos tempos de chumbo finalmente cumprem seu papel: a história das ações do Estado brasileiro é de acesso público.



